O Malbec não é uma variedade nativa da Argentina. Chegou em 1853 como parte de um projeto estatal de modernização agrícola, vinda do sudoeste de França onde já estava em declínio. Cento e setenta anos depois, a variedade está praticamente extinta no seu lugar de origem e converteu-se na imagem mais identificável do vinho argentino. Este guia narra essa história e as suas várias transformações.
1853: a chegada
Em 1853, o governador de Mendoza Pedro Pascual Segura contratou Michel Aimé Pouget, um agrónomo francês de Bordéus, para fundar uma escola de viticultura na província. Pouget trouxe materiais vegetais de França, incluindo Malbec (conhecido localmente em Cahors como Côt ou Auxerrois) e outras variedades. A escolha do Malbec não foi acidental: nos anos 1850, era uma das variedades mais importantes em Bordéus, especialmente no Médoc, antes do declínio causado pelo oídio, o míldio e a filoxera.
O período pré-filoxera
Nas décadas que se seguiram à chegada de Pouget, o Malbec adaptou-se notavelmente ao clima continental e à altitude de Mendoza. As variedades europeias enfrentaram problemas na Europa pela filoxera (que devastou os vinhedos europeus a partir de 1863), mas em Mendoza — protegida pela combinação de areia, clima seco e isolamento geográfico — o Malbec prosperou. Algumas das vinhas plantadas no final do século XIX ainda estão em produção, particularmente em Luján de Cuyo (Vistalba, Las Compuertas, Perdriel).
O período de quantidade (1900-1980)
Durante a maior parte do século XX, o Malbec argentino foi produzido para o mercado interno em grandes volumes. A imigração italiana e espanhola criou uma cultura vinícola popular orientada ao consumo diário em vez de vinhos de guarda ou exportação. A qualidade era variável e em geral não competia em mercados externos. Esta época longa explica por que muitas das vinhas mais antigas argentinas (50-100 anos) estão paradoxalmente em zonas que foram historicamente vistas como "secundárias" em qualidade.
1980-2000: a transformação moderna
O ponto de inflexão chegou nos anos 1980-1990 com a visão de várias figuras — Nicolás Catena Zapata, Susana Balbo, Arnaldo Etchart, e investidores internacionais como Michel Rolland — que apostaram em produzir Malbec de qualidade competitiva mundial. As decisões críticas foram plantar em altitudes mais elevadas (Vale de Uco), reduzir rendimentos por hectare, vinificar com técnica moderna, e mirar o mercado de exportação. Em 1997, o Catena Zapata Argentino lançou o ponto de referência para o que o Malbec argentino podia ser.
2000-2026: a consolidação e diversificação
Nos últimos vinte e cinco anos, o Malbec converteu-se na imagem do vinho argentino nos mercados globais. Hoje, a discussão entre os produtores não é se o Malbec é a variedade emblemática (já o é), mas se a Argentina deve diversificar a sua identidade para incluir outras variedades como o Cabernet Franc, o Bonarda, e o Torrontés. Ver também o nosso guia sobre as regiões de altitude do Vale de Uco, que são onde a discussão sobre o futuro do Malbec se está a desenrolar.
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