Quando se fala de vinhos argentinos, todo mundo pensa em Malbec. Mas Mendoza tem uma variedade de cepas muito mais rica do que o marketing internacional sugere.
Neste guia vamos percorrer as variedades de uva mais importantes de Mendoza: as clássicas que conhecemos todos, as surpresas modernas e as cepas raras que vale a pena descobrir.
Cepas tintas: as protagonistas de Mendoza
Malbec: o rei indiscutível
O Malbec é para Mendoza o que o Malbec é para Argentina: identidade pura. Originária de Cahors (França), encontrou nos solos pedregosos e a altitude mendozina condições que na Europa nunca teve. O resultado é um vinho com características próprias: cor profunda, taninos suaves, notas de fruta negra (ameixa, amóra), violetas e especiarias.
75% do Malbec do mundo é cultivado na Argentina, e a maioria está em Mendoza. Há perfis muito distintos conforme a zona: o Malbec clássico de Maipú (frutado, acessível), o Malbec premium de Luján de Cuyo (estruturado, complexo) e o Malbec de altitude do Vale de Uco (mineral, elegante). Para entender essas diferenças, recomendamos nosso guia das regiões do vinho.
Cabernet Sauvignon
A cepa internacional clássica. Em Mendoza se dá muito bem, especialmente em solos de Maipú e Luján de Cuyo. Vinhos com corpo, taninos firmes, notas de fruta negra madura, pimentão e especiarias. Muitos rótulos premium argentinos são blends onde o Cabernet joga papel importante.
Cabernet Franc
A cepa da moda nos últimos anos. No Vale de Uco encontrou um terroir excepcional. Vinhos elegantes, com notas herbais (pimentão, tomilho), fruta vermelha e mineral marcado. Se nunca provou um Cabernet Franc argentino de altitude, recomendamos especialmente.
Bonarda
A cepa "esquecida" que está voltando. Originária da Itália, a Bonarda foi durante décadas a segunda variedade mais plantada na Argentina (depois da Criolla). Hoje vinícolas como Familia Zuccardi estão fazendo Bonardas premium que demonstram seu potencial. Vinhos suculentos, frescos, com notas de fruta vermelha e taninos suaves.
Tempranillo
Originária de Espanha (Rioja, Ribera del Duero), também se adapta bem a Mendoza. Vinhos com corpo médio, notas de couro, tabaco e fruta madura. Usa-se muito em blends.
Petit Verdot
Cepa francesa clássica de Bordeaux. Em Mendoza usa-se principalmente em blends. Aporta cor, taninos e notas de violeta. Algumas vinícolas como Achaval Ferrer e Catena Zapata fazem varietais puros excepcionais.
Cepas brancas: a surpresa mendozina
Chardonnay
A cepa branca mais plantada em Mendoza. No Vale de Uco a 1.500 metros de altitude produz vinhos com frescor, mineralidade e notas de fruta branca. Catena Zapata, Salentein e Trapiche têm Chardonnays premium reconhecidos internacionalmente.
Sauvignon Blanc
A revelação do Vale de Uco. Vinhos com notas cítricas, herbais e de mar (em altitude), com acidez vibrante. Vinícolas como Bodegas Bianchi e Andeluna ganharam prêmios com esta cepa.
Torrontés
A cepa branca emblemática da Argentina. Originária da região de Cafayate (Salta), também se cultiva em Mendoza. Vinhos aromáticos (jasmim, laranja, maçã verde), frescos e de baixa acidez. Susana Balbo é a referência nacional.
Viognier e Semillón
Variedades menos plantadas mas com muito potencial. Algumas vinícolas boutique estão fazendo rótulos excepcionais com estas cepas. Vinhos brancos com corpo, notas a frutas tropicais e mel.
Vinhos de cepas pouco conhecidas
- Pinot Noir: difícil de cultivar, mas algumas zonas do Vale de Uco o conseguem. Vinhos elegantes com notas de cereja e especiarias finas.
- Syrah: em San Rafael (sul de Mendoza) fazem-se Syrahs cálidos e especiados.
- Sangiovese: cepa italiana, herança imigrante, ainda se cultiva em vinícolas familiares de Maipú.
- Criolla: a cepa original de Mendoza, durante décadas usada para vinho de mesa. Algumas vinícolas biodinâmicas estão fazendo "Criollas premium" que são fascinantes.
Blends: a liberdade criativa
Os blends são combinações de várias cepas, onde o enólogo busca um perfil único que nenhuma cepa pura consegue. Argentina é referência mundial em blends icônicos:
- Catena Zapata Estiba Reservada: blend de Cabernet Sauvignon e Malbec.
- Viña Cobos Bramare: Malbec com toques de Cabernet.
- Achaval Ferrer Quimúa: blend bordelês com identidade mendozina.
- Susana Balbo Brioso: blend baseado em Cabernet Sauvignon.
Se interessam os vinhos premium, recomendamos ler os vinhos de alta gama de Mendoza.
Onde provar cada cepa
Se quer montar uma degustação comparativa por cepas, as melhores opções são:
- Malbec premium: Luján de Cuyo (Catena, Viña Cobos, Achaval Ferrer)
- Cabernet Franc: Vale de Uco (Bodega La Azul, Andeluna, Salentein)
- Bonarda e Tempranillo: Maipú (López, Familia Zuccardi)
- Vinhos brancos de altitude: Vale de Uco (Salentein, Bianchi, Andeluna)
A experiência de fazer seu próprio blend
Se quer entender de verdade como se constrói um vinho a partir de distintas cepas, a melhor experiência é a Blending Experience: junto a um enólogo você aprende a misturar Malbec, Cabernet, Merlot e Petit Verdot, e leva sua própria garrafa personalizada.
Perguntas frequentes
Que cepa provar primeiro se sou novato?
Comece com um Malbec jovem de Maipú. É acessível, frutado e representa a essência mendozina. Depois prove um Malbec premium de Luján para entender a diferença de qualidade.
Há cepas autoctones argentinas?
Estritamente não. A Criolla e o Cereza são cepas trazidas pelos espanhóis que se adaptaram localmente. A verdadeira "estrela nacional" é o Malbec, que embora veio da França, alcançou na Argentina sua máxima expressão.
Por que o Malbec mendozino é tão distinto do francês?
Pela combinação de altitude, amplitude térmica, solos pedregosos e clima seco. Em Cahors (França) o Malbec dá vinhos mais austéros e tânicos. Em Mendoza, a fruta é mais madura, a cor mais intensa e os taninos mais redondos.
Qual é o melhor ano para os vinhos mendozinos?
2010, 2013, 2017 e 2020 são considerados grandes safras. Mas a qualidade mendozina é bastante constante ano após ano, graças ao clima seco e previsível.
Se quer organizar uma degustação especializada em cepas e conhecer as vinícolas que melhor as trabalham, escreva-nos por WhatsApp. Montamos itinerários temáticos para wine lovers que querem ir além do Malbec clássico.
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