O cruzamento dos Andes que fez o General San Martín em 1817 é uma das façanhas militares mais importantes da história americana. E tudo começou em Mendoza.
Neste guia vamos percorrer a história do Cruzamento dos Andes, os lugares chave em Mendoza onde se planejou e preparou a operação, e como visitá-los hoje combinando história com enoturismo.
Contexto: a Argentina de 1817
Em 1817, depois de declarar a independência (1816), as Províncias Unidas do Rio da Prata enfrentavam um problema estratégico: o exército espanhol controlava todo o Pacífico desde Peru, Chile e Alto Peru (Bolívia). Enquanto Espanha controlasse o Chile, a independência argentina estava em risco permanente.
José de San Martín entendeu algo simples: para liberar o Pacífico, havia que cruzar os Andes e atacar o Chile por surpresa. Essa ideia, que parecia impossível, se converteu em uma das operações militares mais impressionantes da história.
Mendoza: a base da operação
San Martín escolheu Mendoza como base por várias razões estratégicas:
- Proximidade aos passos cordilheiranos para o Chile
- Recursos naturais (madeira, água, alimentos)
- População leal à causa independentista
- Distância segura dos focos realistas
Durante 3 anos (1814–1817), San Martín viveu em Mendoza como governador de Cuyo e se dedicou a preparar o Exército dos Andes.
Lugares históricos em Mendoza
Plaza Independencia
O centro histórico de Mendoza. Aqui San Martín abençoou a bandeira do Exército dos Andes em 5 de janeiro de 1817, três dias antes de iniciar o cruzamento. A praça é parada obrigatória em qualquer city tour por Mendoza.
Cerro de la Gloria e Monumento ao Exército dos Andes
Construído em 1914 pelo escultor Juan Manuel Ferrari, é o monumento mais impressionante de Mendoza. Coroando o Cerro de la Gloria no Parque San Martín, comemora a façanha do Cruzamento dos Andes com figuras gigantes em bronze. Vista panorâmica da cidade e da cordilheira.
Plumerillo (campo de instrução)
O campo onde San Martín treinou o Exército dos Andes durante meses. Hoje é um sítio histórico com um museu pequeno mas muito bem curado. Localizado no departamento Las Heras, a 15 minutos do centro de Mendoza.
Casa de San Martín (Museu Histórico)
A casa onde viveu San Martín com sua esposa Remedios de Escalada e sua filha Mercedes. Hoje funciona como museu com objetos pessoais, mapas originais e documentos da época. Localizada em San Martín e Corrientes (centro de Mendoza).
O cruzamento: os seis passos para o Chile
San Martín não usou um só caminho para cruzar a cordilheira. Para confundir o inimigo e mobilizar todo o exército (5.000 soldados), usou seis passos cordilheiranos simultaneamente. Os principais foram:
- Passo dos Patos (San Juan): o mais importante. Por aqui cruzou San Martín com a coluna principal.
- Passo de Uspallata (Mendoza): a coluna de O'Higgins e Las Heras. Hoje é a Rota Nacional 7 que se percorre no tour de Alta Montanha.
- Passo de Come Caballos (La Rioja): operações de distração.
- Passo de Guana (San Juan): operações de distração.
- Passo de Portillo (Mendoza): operações de distração.
- Passo do Planchón (Mendoza): operações de distração.
Percorrer a rota do cruzamento hoje
O passo de Uspallata, que usou a coluna de O'Higgins e Las Heras, é o que coincide com a atual Rota Nacional 7. Esta é a rota tradicional do cruzamento Argentina-Chile, e pode ser percorrida no tour de Alta Montanha. As paradas históricas são:
- Uspallata: povoado onde o exército fez sua base intermediária.
- Las Cuevas: passo fronteiriço, onde estava o antigo Cristo Redentor dos Andes.
- Cristo Redentor: monumento à paz entre Argentina e Chile, construído com bronze de canhões da época de San Martín.
O Exército dos Andes em números
- 5.423 soldados (granadeiros a cavalo, infantaria, artilharia)
- 9.281 mulas de carga
- 1.600 cavalos
- 700 reses para alimentação
- 23 dias que durou o cruzamento da cordilheira
- Altitudes que superaram os 4.000 metros sobre o nível do mar
As batalhas que definiram Chile e Peru
- Batalha de Chacabuco (12 de fevereiro de 1817): vitória patriota que liberou o Chile.
- Batalha de Maipú (5 de abril de 1818): consolidação da independência chilena.
- Libertação do Peru (1820–1821): expedição libertadora que culminou em Lima.
O "Maipú" mendozino, onde hoje há vinícolas, recebeu esse nome em honra da batalha. Se quer percorrer as vinícolas históricas de Maipú, você tem todos os detalhes na página do tour de vinícolas em Maipú.
Combinar história com enoturismo
Uma proposta que recomendamos para viajantes interessados em história:
- Dia 1: City tour por Mendoza (Plaza Independencia, Cerro de la Gloria, Casa de San Martín, Museu da Área Fundacional).
- Dia 2: Tour de Alta Montanha percorrendo a Rota 7 (a rota do cruzamento de O'Higgins e Las Heras).
- Dia 3: Tour de vinícolas em Maipú (a zona que recebeu o nome da batalha decisiva).
Lugares relacionados na Argentina
Se interessa profundizar na história sanmartiniana, depois de Mendoza pode visitar:
- Buenos Aires: Museu Histórico Nacional, mausoléu na Catedral.
- Yapeyú (Corrientes): povoado natal de San Martín.
- San Lorenzo (Santa Fe): convento onde travou sua primeira batalha.
Perguntas frequentes
Quanto tempo se necessita para conhecer os lugares históricos?
Um dia alcança para Plaza Independencia, Cerro de la Gloria, Casa de San Martín e Museu da Área Fundacional. Outro dia para o campo de Plumerillo e a Rota 7 (Alta Montanha).
Há tours históricos especializados?
Sim. Discovery Wine Mendoza pode montar um city tour com foco histórico, com guia especializado em história argentina e sanmartiniana.
É interessante para crianças?
Sim, especialmente o Cerro de la Gloria por seu monumento e as vistas. Para crianças maiores (8+), a história do cruzamento é fascinante.
Se quer organizar uma viagem que combine a história sanmartiniana com o enoturismo mendozino, escreva-nos por WhatsApp. Montamos itinerários temáticos sob medida.
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