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A história do vinho mendozino: tradição e inovação
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A história do vinho mendozino: tradição e inovação

Quatro séculos de tradição, inovação e paixão

Discovery Wine Mendoza
Setembro de 2024
5 min de leitura

Mendoza não nasceu sendo capital do vinho. Levou mais de quatro séculos de trabalho, imigração, erros e reinvenção para se tornar o que é hoje: uma das nove Great Wine Capitals do mundo.

Conhecer a história do vinho mendozino não é só dado de cultura geral: é entender por que as vinícolas são como são, por que o Malbec se converteu em símbolo nacional e como o enoturismo chegou a ser um dos principais motores econômicos da província.


As origens: missionários e videira sem tradição (1556–1850)

As primeiras videiras chegaram a Mendoza em 1556, trazidas por missionários jesuítas e franciscanos espanhóis. A uva não era para enoturismo nem para mercado: era para produzir vinho de missa. A cepa principal era a Criolla, uma variedade rústica adaptada ao clima desértico.

Durante 250 anos, Mendoza produziu vinho para consumo local. A indústria era artesanal, com vinícolas familiares e vinhos que não saíam da região. A Cordilheira dos Andes e a falta de transporte tornavam impossível exportar.

A revolução dos imigrantes (1850–1920)

A grande transformação começou com a imigração européia. Em meados do século XIX chegaram a Mendoza italianos, espanhóis e franceses, muitos provenientes de regiões vitivinícolas tradicionais. Traziam com eles:

O marco histórico ocorreu em 1853: o agrônomo francês Michel Aimé Pouget, contratado pelo governador Domingo Faustino Sarmiento, trouxe da França as primeiras cepas de Malbec. Sem saber, semeou a semente do símbolo do vinho argentino.

Nas décadas seguintes se fundaram as primeiras vinícolas industriais: Bodegas López (1898), Trapiche (1883), Toso (1890). A chegada da ferrovia em 1885 conectou Mendoza com Buenos Aires e permitiu exportar vinho a todo o país.

A era industrial e a massificação (1920–1990)

Durante o século XX, Mendoza se converteu na maior produtora de vinho da Sul América. Mas a qualidade não era o foco: o importante era a quantidade. Argentina tinha um consumo de vinho per capita altíssimo (mais de 90 litros por pessoa ao ano nos 70) e as vinícolas produziam vinhos massivos para o mercado interno.

O Malbec, que já estava plantado, era visto como uma cepa de enchimento. Os grandes êxitos eram o Cabernet Sauvignon e os blends com Bonarda e Tempranillo. As vinícolas eram enormes, com tecnologia antiga e foco em volume.

Dado curioso: Nos anos 80, muitas videiras de Malbec velhas foram arrancadas para plantar variedades brancas da moda. Hoje essas videiras seriam ouro: as poucas que sobreviveram produzem os Malbecs mais cobiçados.

A revolução da qualidade (1990–2010)

A crise do consumo de vinho argentino nos 90 (caiu para menos de 30 litros por pessoa ao ano) obrigou as vinícolas a se reinventar. A saída foi exportar, e para exportar fazia falta qualidade mundial.

Aqui aparecem os protagonistas da nova era:

A descoberta do Vale de Uco como zona vitivinícola de altitude foi a grande revelação. Vinícolas como Salentein, Andeluna, Domaine Bousquet mostraram que os vinhos de altitude tinham uma expressão única impossível de replicar em outras regiões.

Para entender bem as diferenças entre as regiões vitivinícolas mendozinas, recomendamos ler nosso guia das regiões do vinho em Mendoza.

O boom do enoturismo (2000–hoje)

Com o reconhecimento internacional veio o interesse dos viajantes. As vinícolas, que historicamente não recebiam público, começaram a abrir suas portas. Apareceram os primeiros restaurantes em vinícolas: Casa Vigil, La Bourgogne (Vistalba), 1884 (Escorihuela Gascon), que somaram gastronomia de autor às degustações.

Em 2004, Mendoza foi declarada Capital Internacional do Vinho, ingressando ao exclusivo grupo das Great Wine Capitals do mundo. Esse mesmo ano se criou a Rota do Vinho de Mendoza como produto turístico estruturado. Para entender como percorrê-la, visite nosso guia da Rota do Vinho.

Hoje as vinícolas mendozinas são verdadeiros destinos arquitetônicos e gastronômicos. Salentein tem um museu de arte contemporâneo, Casa Vigil oferece experiências imersivas com vinhos exclusivos, Catena Zapata é uma pirâmide maia em meio aos vinhedos.

O Malbec: de cepa de enchimento a símbolo nacional

A história do Malbec mendozino merece um capítulo à parte. Originária de Cahors, França, esta uva quase se extinguiu na Europa pela filoxera (praga do século XIX). Em Mendoza encontrou condições perfeitas: altitude, amplitude térmica, solos pedregosos, clima seco. A variedade evoluiu com características próprias.

A grande mudança veio com a decisão de fazer Malbecs premium em vez de massivos. Hoje há mais Malbec na Argentina que em qualquer outro país do mundo: 75% do Malbec do planeta é cultivado em Mendoza.

Para aprofundar nas variedades, recomendamos nosso guia das variedades de uva em Mendoza.

Os marcos mais importantes

Vinícolas históricas para visitar

Se interessa a história do vinho mendozino, estas vinícolas merecem uma visita:

Se quer organizar um dia de vinícolas centenárias, você tem todos os detalhes na página do tour de vinícolas em Maipú.

O futuro do vinho mendozino

Mendoza continua evoluindo. Algumas tendências atuais:

Perguntas frequentes

Qual é a vinícola mais antiga de Mendoza?

Bodegas López, fundada em 1898 em Maipú. Continua funcionando e pode ser visitada.

Por que o Malbec é tão importante na Argentina?

Porque encontrou em Mendoza condições perfeitas para se expressar em sua máxima qualidade, e porque a decisão estratégica dos anos 90 foi apostar nele como símbolo nacional.

Como se celebra o Dia Mundial do Malbec?

O 17 de abril, com eventos em vinícolas de todo o mundo. Em Mendoza há degustações especiais, festas em vinícolas e promoções turísticas.

Que outras cepas são históricas em Mendoza?

A Bonarda (variedade italiana adaptada na Argentina), o Tempranillo (espanhol) e o Cabernet Sauvignon. Todas trazidas por imigrantes em fins do século XIX.


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